Tratamento Cancro Ovario - Cancro Online

Tratamento do Cancro do Ovário

O tratamento do cancro do ovário deve ser sempre efetuado por uma equipa multidisciplinar, com uma vasta experiência em tratar doenças oncológicas ginecológicas.

O tratamento a efetuar vai depender de quanto o tumor está avançado, se a cirurgia permanece como uma opção, do estadiamento definido cirurgicamente e da avaliação de risco do doente, nomeadamente da idade, performance status e comorbilidades.

Tratamento inicial

Doença operável

Cirugia

A cirurgia é considerada o principal pilar da abordagem terapêutica do cancro do ovário nos estádios iniciais. Neste contexto, a cirurgia primária tem por objetivo a realização da máxima redução tumoral, de forma a que idealmente não fiquem quaisquer lesões residuais, e estabelecer o estadiamento correto da doença.

Tratamento sistémico adjuvante:

  • Quimioterapia: A quimioterapia adjuvante é realizada após cirurgia e está indicada nos carcinomas de células claras e para os outros tipos histológicos, carcinomas nos estádios IA ou IB G3, IC e II a IV. O tratamento padrão para estes casos é o uso de dois fármacos em associação (paclitaxel e carboplatina), por via intravenosa, uma vez a cada 3 semanas, 6 tratamentos. Podem ser considerados outros esquemas de tratamento em situações de hipersensibilidade (alergia aos fármacos).
  • Terapêutica dirigida:
    – Inibidores da PARP: Atualmente, em todas as doentes com carcinoma do ovário epitelial não mucinoso, devem ser pesquisadas mutações patogénicas nos genes BRCA1 e BRCA2 germinativas (mutações presentes em todas as células do corpo, sendo estas de origem hereditária) ou somáticas (mutações presentes apenas nas células tumorais e, por isso, não são de causa hereditária), uma vez que a presença destas mutações tem implicações terapêuticas. As doentes portadoras destas mutações são mais sensíveis ao tratamento com inibidores da PARP (fármacos que inibem uma enzima envolvida na reparação do DNA). O olaparib é um inibidor da PARP, que pode ser usado como tratamento de manutenção em mulheres com cancro do ovário de alto grau, avançado (estádios III e IV da FIGO), portadoras de mutação patogénica nos genes BRCA 1 ou 2 (germinativa e/ou somática), que respondem de forma completa ou parcial à quimioterapia baseada em platina de primeira linha.
    Bevacizumab: O bevacizumab é um fármaco que impede o desenvolvimento dos vasos sanguíneos que irrigam o tumor, impedindo que o seu crescimento. O bevacizumab está aprovado em associação com paclitaxel e carboplatina em mulheres com cancro do ovário epitelial nos estádios IIIB, IIIC ou IV.

Doença irressecável

Quando a doença é inicialmente considerada irressecável (após avaliação imagiológica ou por laparoscopia), ou é previsível que não se consiga realizar uma cirurgia de citorredução ótima, a opção de realizar quimioterapia neoadjuvante/ primária deve ser considerada, sempre em âmbito de consulta de grupo multidisciplinar. Geralmente, está preconizada a realização de 3-4 ciclos de quimioterapia e, posteriormente, nova avaliação da exequibilidade cirúrgica.

Tratamento da recidiva

Apesar do sucesso do tratamento inicial, existe a possibilidade do cancro recidivar. Não é possível padronizar a terapêutica das recidivas. A estratégia a adotar no caso de uma recidiva irá depender de vários fatores, incluindo o tempo decorrido desde o tratamento inicial, o padrão da apresentação da recidiva, a sensibilidade aos platinos, o estado geral da doente e comorbilidades, e a toxicidade à quimioterapia prévia.

Tratamento sistémico

Quimioterapia:

As opções podem ser tratamento sequencial com quimioterapia (um fármaco de cada vez), em mulheres nas quais o cancro recidivou rapidamente, ou um conjunto de combinações de regimes baseados em platina, se o tumor permanece sensível ao tratamento com fármacos tipo platina (como carboplatina).

Terapêutica dirigida:

  • Bevacizumab: O bevacizumab poderá também ser usado em mulheres com cancro do ovário recidivado, da seguinte forma:
    – Em associação com carboplatina e gemcitabina ou carboplatina e paclitaxel, em mulheres com uma primeira recidiva de cancro do ovário epitelial sensível à platina e que não receberam antes tratamento com bevacizumab ou outro fármaco que atua da mesma forma.
    – Em associação com paclitaxel, topotecano ou doxorrubicina lipossómica peguilada, em mulheres com cancro do ovário resistente a platina, que receberam menos de dois regimes anteriores de quimioterapia e que não foram submetidas a tratamento anterior com bevacizumab ou outro fármaco que atua de forma semelhante.
  • Inibidores da PARP: Os inibidores da PARP (olaparib, niraparib e rucaparib) podem ser usados como tratamento em mulheres com cancro do ovário de alto grau, recidivado e sensível a platina, positivo para as mutações BRCA1 ou BRCA2 (germinativa e/ou somática) e que respondem à quimioterapia baseada em platina. O niraparib pode ser usado também nas doentes sem mutações BRCA1 ou 2. Todos estes fármacos estão disponíveis em formulações para tomar por via oral. Como sucede com qualquer tratamento médico poderá sentir efeitos secundários ao receber estes medicamentos. É importante que discuta com o seu médico os efeitos secundários potenciais que mais o preocupam e que, após iniciar a medicação, comunique qualquer alteração que considere importante.

Hormonoterapia:

O cancro do ovário expressa com frequência recetores hormonais e pode ser sensível à hormonoterapia. Em doentes com cancro do ovário recidivado e sem estado geral compatível com quimioterapia, e noutras situações pontuais, têm sido usados fármacos como os análogos da GnRH, tamoxifeno, fulvestrant e inibidores da aromatase, com resultados modestos.

Cirurgia

Não existe uma intervenção padrão para estes casos.

Radioterapia

A radioterapia não é um tratamento standard para o cancro do ovário. No entanto, pode ser usada, muito pontualmente, com fins paliativos em doença localizada e sintomática.

PT-KEY-00264 05/2020

msd Com o apoio de: Associação de enfermagem oncológica Portuguesa Associação Portuguesa de Luta Contra o Cancro Associação Portuguesa de Urologia Europacolon Portugal – Apoio ao Doente com Cancro Digestivo Grupo Português Génito-Urinário Liga Portuguesa contra o cancro Sociedade Portuguesa de Anatomia Patológica